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sábado, 18 de maio de 2013

Todos os poemas são feitos de mar

|Ruth Ministro


Todos os poemas são feitos de mar.
E vento.

Todos os versos são espuma branca.
Flor de sal.

Nas mãos vazias do poeta,
acende-se, imenso, um areal.


In Dos Intervalos Das Horas
Edita-me, 2011

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Amor Urgente

|Ruth Ministro


Não te demores,

ama-me com a urgência do rio
que se faz mar,

a vida não passa de um breve
sonho,

uma rosa a desabrochar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

De Dentro

|Ruth Ministro


Há uma noite dentro da noite,
dentro de mim, dentro do peito.
Há um grito dentro do silêncio
que engole a noite dentro de mim.
Há um gigante dentro dos olhos,
dentro da boca, dentro das palavras.
Há um segredo dentro das mãos
que tecem a noite dentro do poema.
Há um poema a morrer de escuridão
dentro do poema, dentro do fogo.
Há um deserto a florir de dentro.


In Dos Intervalos Das Horas
Edita-Me, 2011

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A poesia que nos escolhe


Entrevista a Ruth Ministro

|Clara Henriques



“Todos os poemas são feitos de mar”.

O teu último livro, Dos intervalos das horas – 2011, divide-se em 4 momentos: a madrugada, a manhã, a noite e, por fim, os intervalos das horas. Nasce-te poesia em todas as horas?
De alguma forma, a poesia faz parte dos meus dias e acaba por estar presente em todas as horas, quer eu queira, quer não. A minha paixão pela poesia, como é aliás apanágio das paixões, é algo que não posso controlar, não depende de mim, está para além do consciente e do racional e das horas e dos lugares. Não é que esteja a pensar em poesia a toda a hora, também não é assim, mas há uma propensão para encontrar no quotidiano o seu quê de poesia, embora nem sempre isso queira dizer que consigo escrever um poema. Eu na verdade acredito que é a poesia que nos escolhe para a escrever e não o contrário. A inspiração é qualquer coisa que toca o divino, vem não se sabe de onde e atinge-nos como um raio de luz, independentemente da hora do dia ou da tarefa que estamos a desempenhar no momento, essa até pode ser tão ou mais ridícula e pouco poética como fazer a cama ou lavar a loiça… por vezes é uma palavra que surge, um verso que se desenha em torno dela, outras vezes é algo que vemos e que forma uma ideia poética, depois só temos que conseguir guardar essa inspiração até ao momento de escrever o poema.

Perigo de Morte

|Ruth Ministro


Quando o amor acontece, não há aviso prévio:
não há uma nota escrita num post-it amarelo e
colada no frigorífico, não há um sinal de stop
no início da estrada, nem um polícia sinaleiro
a acenar-nos com os braços, não há raios e trovões
num céu laranja como fogo. Também não há
passarinhos de todas as cores a cantar à janela,
nem brisas repentinas a fazer voar cabelos soltos,
nem tão pouco banda sonora a começar, como
nos filmes românticos. Quando o amor acontece,
levamos um inevitável murro no estômago, e
ninguém nos avisa que essa é apenas a primeira dor,
ninguém nos diz que podemos morrer. Ninguém nos diz
que vamos querer morrer. E mesmo que nos dissessem,
mesmo que houvesse um letreiro à porta do amor, com
aviso de "PERIGO DE MORTE", mesmo assim entraríamos.
Não por sermos estúpidos, mas porque quando o amor
acontece, abrem-se todas as portas, e a verdade é que
ninguém repara nos avisos afixados em portas abertas.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Palavras incendiadas

|Ruth Ministro


Há dias, como este, em que as palavras,
de tão apaixonadas,
se incendeiam nas minhas mãos,
e ardem antes de eu escrever o poema.

Fica-me nos dedos inúteis o pó das letras,
como se fosse poeira de estrelas que,
por ciúme,
o céu não me deixou oferecer-te.



In Dos Intervalos Das Horas
Edita-Me, 2011

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sempre o teu nome

| Ruth Ministro


Há o teu nome
imenso e inconfessável
como um pecado.

Há o teu nome
que não digo
e que me repete.

O teu nome
sempre o teu nome
o teu nome apenas.

Não sei a claridade
sei o teu nome.

Na minha boca
a noite arde em permanência.

Ruth Ministro - Apresentação

Ruth Ministro, psicóloga pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, nasceu em Lisboa no ano de 1981. Desde sempre apaixonada pelas letras, começou a partilhar as suas palavras com o público em 2006, através do blogue http://a-minha-nuvem.blogspot.com. Em 2008 é convidada a participar na colectânea “Nas Águas do Verso: 100 Autores – 100 Poemas”, lançando o seu primeiro livro de poesia “A Minha Nuvem” em 2009, quando é descoberta pela Edita-Me Editora. O seu segundo livro de poemas, “Dos Intervalos Das Horas”, é publicado em 2011 pela mesma editora. Os seus textos já foram vestidos por vozes de programas de rádio, pintados por artistas plásticos em exposições colectivas intertextuais e interpretados em tertúlias e sessões poéticas por quem por eles se apaixonou. Fernando Contumélias, prefaciador do seu segundo livro, descreveu-a como uma mulher corajosa: “é preciso ter coragem para escrever poesia. Porque não há ‘arte’ que poupe tão pouco o lado mais íntimo de quem a escreve, por mais que ‘finjam’ os poetas e poetisas... Apesar da relativa juventude, Ruth Ministro tem a ousadia de se aventurar pelo imenso território das emoções humanas e a maturidade espantosa para se sair bem.”, mas talvez a melhor forma de a definir seja chamá-la de eterna sonhadora.