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sábado, 16 de março de 2013

janis / ter e nom ter

|Susana Sánchez Aríns

janis

através da agulha enfias
bessie smith
através da agulha costuras
pérolas de dor
através da agulha sangras
cantos no bordel

quem o [micro] fuso che entregou
injectou com ele o veleno

heroína
foi o fio

uma bela adormecida
o desenho do bordado

sexta-feira, 15 de março de 2013

das belas artes e outros poemas

|Susana Sánchez Aríns


das belas artes

[dizem que são sete as belas artes: pintura, escultura, dança, literatura, arquitetura, música e cinema. dizem.]


koré

por eu ser em pedra dizes-me hierática

envolveita em pele máguas bostelas
esqueces que a mármore nunca cicatriza

quinta-feira, 14 de março de 2013

Um pouco fora do lugar


Entrevista a Susana Sánchez Aríns – parte dois

|Eduardo Estevez



 Logo interessa-me saber se, para além dos propósitos concretos de cada livro, há na tua obra uma intencionalidade mais global. Pergunto-te com isto em concreto pelas tuas preocupações vitais (o papel da mulher na construção do discurso, a ideia ou as ideias de nação, este tipo de coisas) mas também por como vês o teu papel ou o papel da tua escrita no tempo que lhe toca desenvolver-se.

Sou assim tão ingénua que ainda, apesar dos tempos que estamos a viver, acredito na possibilidade de deixar um mundo melhor para as gerações vindouras.
A terra da que se alimentam as minhas raízes foi semeada, irrigada e estercada por outras pessoas, algumas sabidas, a maioria anónimas. Deram forma a uma língua, uma cultura, uma comunidade. Língua, cultura e comunidade que hoje estão em perigo de extinção. Ao tempo, tocou-me em sorte nascer mulher, mas o acaso colocou-me numa região do planeta onde a questão de género implica menos perigos: pude estudar, sou uma pessoa independente social e economicamente e posso erguer a voz sem medo da represália.

quarta-feira, 13 de março de 2013

sessão vermu

|Susana Sánchez Aríns



uma roda no bordo da copa
uma olhada ás parelhas que dançam

o saibo amargo do aperitivo







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terça-feira, 12 de março de 2013

A face lírica de uma obra em construção


Entrevista a Susana Sánchez Aríns – parte um

|Eduardo Estevez


Apesar ter nascido em 1974 em Vilagarcía de Arousa, Susana Sánchez Aríns diz-se estradense (do concelho da Estrada, no interior da província galega de Pontevedra). Contudo, desde há tempo mora no contorno da ilha de Arousa onde dá aulas de língua espanhola e literatura num centro de ensino secundário.
É licenciada em Filologia Hispanica e em Filologia Portuguesa pela Universidade de Santiago de Compostela.
Mantem um blogue de poesia desde 2006 (dedos como vermes), mas não será até 2009 quando a autora veja publicada a sua primeira obra em forma de livro: [de]construçom, com a que obteve a edição de 2008 do Prémio Nacional de Poesia Xosemaría Pérez Parallé para autores e autoras inéditas. O livro foi editado pela Espiral Maior, a mais importante editora de poesia em língua galega.
Em 2012 publica mais dois títulos: Aquiltadas (na Estaleiro Editora) e A noiva e o navio (na Através Editora).
É uma autora muito ligada à net. Para além do blogue mencionado, mantém um outro: como pam da boca, no que deixa constância das suas leituras e criou dois blogues para acompanharem o percurso de cada um dos seus últimos títulos: a noiva e o navio e aquiltadas.

segunda-feira, 11 de março de 2013

boticelliana

|Susana Sánchez Aríns


para evitar aos predadores de beleza
obtivo a carta de mariscadora a pé

podes vê-la na seca trajada em neopreno






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