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domingo, 23 de março de 2014

FRIDAS - Autorretratos

|Mariana Collares

Eu faço autorretratos.
E mais do que uma premência em 'avaliar meu grau de passagem' (Ana Hatherly dixit), talvez os faça, antes de tudo, como um movimento pela reafirmação da minha múltipla intimidade. Trata-se de uma postura moral que me conduz no sentido do entendimento do outro através da minha própria aceitação.


Mais em: https://www.behance.net/gallery/Fridas-AutorretratosSelf-portraits/11221609

"Fridas"
(autorretratos)
Acervo pessoal da autora
Canon PowerShot & iPhone
2011-2014

sábado, 22 de março de 2014

Luxo


Luxo from Mariana Collares on Vimeo.

|Marcelo Sahea & Mariana Collares

Performance-relâmpago (site specific) realizada em parceria de Mariana Collares e Marcello Sahea na cidade de Tramandaí/RS (Brasil), com foco na sustentabilidade e educação ambiental. Material utilizado: lixo encontrado na praia.

"Luxo"
Performance-relâmpago de Marcello Sahea & Mariana Collares
Direção: Mariana Collares
Edição: Marcello Sahea
Trilha Sonora: Barulhista
Digital video | 3'00

sexta-feira, 21 de março de 2014

Olhos sobre tela


Olhos sobre tela from Mariana Collares on Vimeo.

|Mariana Collares

Sozinho, na sala de estar, janela aberta, olha para “velhice -tal é o nome que os outros lhe dão-”e
pensa que poderia ser o tempo de sua felicidade quando um animal morre, ou quase morre, restam
o homem e sua alma ele se vê em meio às formas luminosas e vagas que ainda não são a escuridão
olha para a cidade de buenos aires, que vê da janela, e que antes se espalhava em subúrbios e a
enxerga agora estreitada na Recoleta, no Rerito, nas vagas ruas do once e nas casas velhas que
ainda chama O Sul.

Baixa os olhos sobre a folha branca e pensa sempre em sua vida foram demasiadas as coisas.
Demócrito de Abdera arracou os próprios olhos para pensar - hoje vê o o tempo arrancando-lhe os
olhos. A tela escurece lentamente, porém sem dor, e vê-se fluir por um manso declive que se
assemelha à eternidade. Seus amigos não têm mais rosto e as mulheres continuam sendo o que
foram há muitos anos. As esquinas podem ser outras, já não sabe, não há mais letras nas páginas
dos livros.

Tudo isso deveria atemorizá-lo mas o acalenta como um deleite, ou um retorno. Das gerações dos
livros que há na terra sabe ter lido apenas uns poucos aqueles que continua lendo na memória
lendo e reescrevendo com os olhos que já não têm. De todos os lugares convergem os caminhos que
lhe trouxeram ao seu secreto centro. Este mesmo em que se encontra hoje na sala de estar em
frente à janela e o vento. E tudo aquilo que ecoa como passos e homens, e mulheres, e agonias e
ressurreições, foram os dias e as noites, foram entressonhos e sonhos e cada mínimo instante do
ontem e todas as memórias do mundo, a espada do dinamarquês, a lua do persa, e os silêncios dos
mortos, todos os amores, todas as palavras. Emerson e a neve e tantas outras coisas - agora
poderá esquecê-las.

Vê-se em seu centro imóvel, na sala de estar. A janela, o vento, as árvores fora. O copo d’água. A
mesa de centro. O livro aberto no fim. O lápis solto sobre a folha. A folha que é a sua álgebra e sua
chave. O seu espelho.

“Breve eu saberei quem sou”.

(OLHOS SOBRE TELA - Mariana Collares (texto baseado no poema Elogio da sombra, de Jorge Luis Borges)

"Olhos sobre tela" / Mariana Collares
Video-performance baseada no poema "Elogio da Sombra", de Jorge Luis Borges.
Texto, performance e leitura: Mariana Collares
Direção de Arte: Marcello Sahea
Música: Colo-paradeiro, de Barulhista
Digital video | 3'48"
2013

quinta-feira, 20 de março de 2014

Olhos de ressaca


Olhos de ressaca from Mariana Collares on Vimeo.

|Mariana Collares

— (Juro!) Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada."
Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim.
Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei
extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que
lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto,
com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar
crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles
olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que
eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova.
Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a
vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.

Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos
espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha
crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.

Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do Céu terão marcado esse tempo infinito
e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a
duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do Céu conhecer
a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a
quantidade das delícias que terão gozado no Céu os seus desafetos aumentará as dores aos
condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para
emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me
definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, — para dizer alguma
coisa, — “Eu sou capaz de os pentear, se eu quiser.

(Trecho do romance DOM CASMURRO -Machado de Assis)

"Olhos de Ressaca" / Trecho do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis
Concepção, voz, performance e direção: Mariana Collares
Direção de Arte, edição, imagens & mixagem: Marcello Sahea
Digital video | 3'07"
2013

quarta-feira, 19 de março de 2014

Aurora


Aurora from Mariana Collares on Vimeo.

|Mariana Collares

Eu abracei a aurora de verão.

Nada ainda se movia na fachada dos palácios. A água estava morta. Acampamentos de sombras nao deixavam a trilha do bosque. Eu caminhei, despertando os hálitos vivos e tépidos; e as pedrarias olharam, e as asas levantaram sem um som.

O primeiro acontecimento foi, já num atalho cheio de centelhas frescas e pálidas, uma florque me disse seu nome.

Ri à louca cascata que descia desgrenhada através dos pinheiros. Pelo cimo prateado, reconheci a deusa.

E então, um a um, eu levantei os véus. Na alameda, agitando os braços. Pela planície, onde a denunciei ao galo. Na cidade grande, ela fugia entre os campanários e as cúpulas e, correndo como um mendido sobre o cais de mármore, eu a caçava.

No alto da estrada, perto de um bosque de loureiros, eu a cingi com o seu amontoado de véus, e senti um pouco o seu corpo imenso. A aurora e a criança caíram na orla do bosque. Ao acordar, meio-dia.

(Aurora, poema do livro ILUMINURAS - Arthur Rimbaud)

Fotos: https://www.behance.net/gallery/FotosPhotos-Aurora/11212675

"Aurora" / Arthur Rimbaud
Concepção, voz, performance e direção: Mariana Collares
Direção de Arte, edição, imagens & mixagem: Marcello Sahea
Trilha: loop de Ronnie Rekkerd
Tradução livre: Mariana Collares
Digital video | 3'11"
2013

terça-feira, 18 de março de 2014

Elogio da Loucura


Elogio da Loucura from Mariana Collares on Vimeo.

|Mariana Collares

Digam de mim o que quiserem (pois não ignoro como a Loucura é difamada todos os dias, mesmo pelos que são os mais loucos), sou eu, no entanto, somente eu, por minhas influências divinas, que espalho a alegria sobre os deuses e sobre os homens.

(Fragmento de ELOGIO DA LOUCURA -Erasmo de Rotterdam)

Fotos: https://www.behance.net/gallery/FotosPhotos-Elogio-da-Loucura/11213311

"Elogio da Loucura" / Erasmo de Rotterdam
Concepção, voz e performance: Mariana Collares
Direção de Arte: Marcello Sahea
Tradução: Paulo Neves
Digital video | 00'43"
2013