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domingo, 11 de maio de 2014

Mestre

|Luis Coelho

Seguem-te esquecendo-se,
Desvelam a ilusão,
nutrem-se no teu furúnculo,
Restringem-se
na acção, na cognição,
porque os injectas na sua base,
no seu homúnculo reptiliano,
porque os aprisionas na culpa ditosa,
crias as regras da sua estase,
os apetrechos ocos do seu córtex,

Opera-los, tritura-los, redu-los à sua condição,
Lembras-lhes a sua Humanidade,
porque é tua, a que já foi deles, pobre volição,
Trazes ao mundo a esperança,
quando oca é a vida e vã a temperança.

sábado, 10 de maio de 2014

Mapas

|Luis Coelho

Não me procures na urgência de medidas,
Não vejas em mim a tua distância definida,
Não procures no meu corpo os teus limites sucumbidos,
Não vislumbres no meu olhar a aceitação dos dias preteridos.
Não venho para dar Luz, como os instrumentos de outras Eras,
Não venho estender vias, como fronteiras predestinadas,
Trago em mim os velos e a urgência do mistério,
Trago comigo a Noite e a mística do baptistério,
Trago comigo a sombra e o silêncio das esculturas,
Trarei em mim o secreto e os deuses das alturas,
caindo como anjo mortal do solstício das agruras.

Não sou Razão, como via direccionada,
Não teço soluções nem a voz por muitos desejada,
Venho perturbar, riscar a meta na deturpação
da Verdade que os tempos devoraram ficcionada.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

A Sagrada Família

|Luis Coelho

Pai, ao teu eco túrgido,
à Palavra com que cegas,
Condeno as liberdades,
porque não me concedo,
Não te mato em mim
de te fender nos outros,
Faço-te Lei num gesto grotesco,
no repente do medo,
de vis demónios consentidos.

Expiras em mim os pólos contrafeitos,
Limitas a minha dança à dúvida do regresso,
fazendo-me teu espelho,
no negro perecível do teu ouro,
no reflexo temível do teu núcleo.

Queres-me sombra à custa de me trazeres no teu espectro.
Queres-me luz à custa de querer trair o teu feltro.

E eu só quero ser a Mãe do teu repúdio,
matéria no asco dos teus limites,
desejo, sexo e vanidade
levitando,
mergulhando no centro do teu túmulo.

Mãe Sophia no teu filho de ousadias.
Mãe do retorno perpétuo,
comédia dos trabalhos, a tragédia dos dias,
Eu sou o filho e trago comigo a paixão
das verdades relativas, das mentiras rendidas.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

A paixão de Sophia

|Luis Coelho

Da Noite de enxofre, da costela de ouro,
do pneuma, da pleura, do Sopro vital,
Quedas-te do triunfo dos homens,
da Imaginação,
da montanha, da coroa, da obra da retorta,
do corpo inconsciente criação,
Fazes da carne a vaidade saturnina,
o palco do teu seio,
a rampa da saudade tempestiva
do vazio da profecia.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pater

|Luis Coelho

Repousas no desejo de seres
Dormes no anseio do sonho
Não pretendes vir a ser
E, não obstante, quere-lo,
Queres a insanidade,
a viagem e o plural,
Quedar com o sentido
do sem sentido,
Caminhar para a ti chegares
no momento primeiro,
no tempo do encontro
com a ilusão de um início.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Trindade

|Luis Coelho

Pai,
No teu sono de enxofre
desejas na impossibilidade
o rio do atrito da desventura,
E o filho,
que resvala na partitura da paixão,
na redução dos homens transviados,
na roda serpentina do retorno eternizado,
suplica a renúncia na libertação,
implora a sua própria rebelião,
para que a Verdade nele chame a contenda da dúvida,
para que a neurose, a culpa nele demande sacrifício,
o seu levitar materno, ousadia de Sophia,
a sua desmaterialização na fortuna iniciática,
pela ordem, acção e síntese
do Espírito feito alma alada,
Hermes enrubescido pelas viagens,
nesse equilíbrio mercurial
dos neurónios robustecidos,
do pensamento apaziguado.

O Espírito é a Noite de sonhos evolados
na tragédia finalizada na Origem,
no caminho conseguido de conspirado,
no trilho de perdido em nós tornado.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Luís Coelho - Biografia

Com cinco livros publicados na área do ensaio filosófico-Espiritual e de análise psicanalítica, o percurso poético do autor foi-se tornando mais certo e coeso, com o cruzamento de múltiplas referências obtidas a partir da sua dedicação às suas particulares obsessões: o Sagrado, a Psicologia da Espiritualidade, o Corpo...

No espaço de um só ano publicou três livros: «O Corpo e o Nada. mini-ensaios teofilosóficos» (Apeiron Edições, 2013), «As Metamorfoses do Espírito. Sobre o mal, a psicologia da Filosofia e o Super-Homem» (Apeiron Edições, 2013), e, mais recentemente, «A Clínica do Sagrado. Medicina e Fisioterapias, Psicanálise e Espiritualidade» (Edições Mahatma, 2014).

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Mal puro

|Luís Coelho

A neurose do eterno retorno
É como as dores de crescimento
O recuo gera a expansão
Como a evolução da involução
E este é o menor mal!

O Mal puro não é a involução
Ou o recuo temporário
Daqueles que são constantes
A vida é neurose permanente
Desequilíbrio pungente
Entre pólos cabalísticos

O Mal puro não é o Inferno revisitado
Quando se permite o regresso órfico
E o salto quântico iluminado
Nem sequer é o pecado
Como o erro de ver a Luz onde ela é escassa
Ou o eterno no frugal impermanente

As más escolhas são condição do crescer
Os pecados e os males farão recrudescer
Esse destino de sermos Deuses ou Civilização
O Mal puro é mais profundo
Porque é eterno ruminar
No mundo dos demónios encarcerados
O Mal puro é bem mais fundo
Porque é eterna involução
De um eterno retorno
Em que o retorno é mor que evolução
O Mal puro é regressão
É andar para trás e não voltar
É esta a Psicose da mente bárbara
Ou o Inferno da condenação
São estas as trevas verdadeiras
De uma Idade que não é Média
Mas o Anticristo de sombras derradeiras.

O Mal puro é alienação
Porque a Luz se perde para sempre
Sujeito e Objecto já não se vêem
Nem juntos e nem sequer separados
Pois que o mundo dos Demónios
Não é como o Arché das Leis primárias
Ou mesmo o Bom selvagem pacificado
É o terrível de um caos amordaçado
Por isso não é o génio que desconstrói
Porque este selvagem só destrói
Para que o Caos que fica
Seja somente a causa falsamente incausada.



Visite o blogue do autor em www.reeducacaopostural.blogspot.com

domingo, 6 de outubro de 2013

O Corpo de Lúcifer (Ensaio poemático)

|Luís Coelho

Se bem que uma certa Espiritualidade esotérica – e em particular a Teosofia de Blavatsky – pretenda fazer do aparente binómio «Corpo – Espírito» uma Mónada de substancialidade espiritual em que tudo é Uno e em que o Uno é o Absoluto, a tentação de contrapor a tal coerente monismo o protótipo de uma dualidade do tipo «Espírito vs. Matéria» não pode deixar de ser sentida enquanto produto de uma natural devassa interna, que é aquela que, urgindo o mecanismo de defesa de cariz psicanalítico, contenta a natural aversão à Unidade e a atracção à transubstanciação de fronteiras.
Jaz já, então, a tentação demoníaca nesta tão grotesca tendência para a fragmentação de uma Unidade, na qual toda a diversidade e todo o movimento conspiram nos termos de um jogo de ilusões, teatro de máscaras que apela à multiplicidade de um Demiurgo que se contenta com a quimera do livre-arbítrio decisor. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ciência: Fausto e o Nada

|Luís Coelho

Os homens do Espírito pretendem ver Fausto na Ciência
O saber a atentar o caminho babélico
A perversão das Origens
Para que às Origens voltemos
As mesmas que nunca deixámos de ser,
Mas se a Ciência triunfar
Na suspensão do sofrimento
Do mal do atrito do Eu
Já Faustos não seremos
Porque Nada, na verdade, seremos
Porque a morte do atrito e a extinção das necessidades
É a diluição da consciência
De um Eu, que já não sendo, se torna Nada
Do mesmo Nada de que fala o Espírito
Mas agora um Absoluto em Terra
Que da Terra nunca chegou a partir
Senão por mera ilusão, projeção,
Devaneio ou consciência sobrepujada.

Pensar que o controlo dos genes e a tiranização das causas
Deste Admirável Mundo Novo que já se inicia num mais que vislumbre
Será sufocado pelo poder do Eu que se deseja Espírito que se deseja Amor
É esquecer que é a própria volição
É a própria consciência do Eu ultrajado
É a própria noção de um Ego maltratado
É o próprio sentido e mesmo a felicidade
Que já não serão nossos
Porque terão sido programados
Porque terão sido tornados outrem
Porque terão sido vertidos no Nada
Que o antigo desejo de não sofrer
Terá determinado nesta solução de nada ser.

O Admirável Mundo Novo promete o Nada
Sem que se pareça com o Absoluto do Infinito
Porque aqui reside apenas a morte de Ser
E o desejo a ambição serão de uns poucos
Porque todos os outros já nada serão
E o querer ser será de cada vez menos

Serão uns tantos a ser e com sofrer
Porque não entendem que a morte da dor
Tem de ter a morte de ser
E serão todos os outros sem o ser sem o sofrer
Mas já nada são porque não sentem e não desejam
Daí que sofrer é condição da vida
E o ambicionar a condição do Nada
Para que o Nada mate a própria ambição,
O sofrimento e o tudo querer,
Daí que sofrer eternamente é condição de ser
E que impingir o Nada aos outros para que algo em nós seja
É como impingir o Nada a nós mesmos
Porque só este matará a dor, a própria e a alheia.

Nada ser é já não desejar ser ou involuir
É a garantia do Espírito que não requer corpo
Quando ser algo e querer o eterno retorno
Na via correta, no dharma, na obra sublimada
Mas num Absoluto nunca consumado
É o estar da psique, de uma que se pretende tal
Que se pretende ‘Eu’ no atrito permanente

Parece-me que pretender o equilíbrio na Terra
É a via mais sensata
Anulam-se os extremos, a dualidade bipolar,
Mas sem que inexista um certo atrito
Pois que a aventura de ser é a condição do alívio
De um alívio que não pode existir no ‘Nada’
E que por isso parece ser uma má solução
Uma armadilha
Porque lá chegando lá se perde a vontade de ser
Do mesmo que queria a euforia perpétua
Porque entendeu como todos os outros
O impermanente como permanente.