|Joana Santiago
I Lucidez
Se parar é morrer, nós nunca parámos
parece que esta cruzada se espalha por pântanos
lugares onde se afundam nas águas serenas
os nossos corações que ardem em chamas
de volta ao nosso espaço, construímos um quarto
com paredes de marfim, enjoamos como barco
acompanhados de vazio e partes divididas
já fomos e voltámos e estamos sempre de partida
ás vezes sonho que caio pelo abismo sem nexo
preencho o espaço de uma folha e proclamo escolha
como uma distração indesejável, perco a inspiração
é que se a cabeça se manifesta, perde-se rumo a casa
arrasto comigo um amanha, estava prometido irmão
agora é teu, aproveita a sombra que deixo
segue as mesmas passadas e no espelho, existe
assume fisicamente a tua forma de deus e acena
sopra a tinta no balão e acusa a lucidez,
se parar é morrer, nós nunca existimos
parece que esta cruzada foi apenas sonhada
e os pântanos de que falava, são buracos de nada