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domingo, 10 de março de 2013

«Como na Religião não aja outro tisouro mais precioso que os livros aptos para estudo […]» : bibliotecários conventuais, guardiões de tesouros.


|Rui Prudêncio

Constituindo o livro impresso o primeiro produto industrial da civilização ocidental a partir do último quartel do século XV, gradualmente as bibliotecas europeias tornaram-se espaços de grande concentração de volumes, sendo essa aliás uma das suas funções: acumular informação. Se antes o processo acumulativo seria lento, pois a feitura do livro era um labor integralmente manual, logo demorado e dispendioso, com o advento da produção tipográfica, paulatinamente as bibliotecas coleccionaram milhares de volumes. O crescente ritmo de aquisição tornou a gestão e manutenção dos acervos bibliográficos mais complexa e exigente.

Neste contexto, para além das tarefas habituais de organização (catalogação, classificação, arrumação, pesquisa) o bibliotecário vê reforçadas outras funções. O Renascimento enche as estantes, traz mais leitores, e entre tantos volumes, empréstimos, entradas e saídas era imperioso ao bibliotecário desenvolver métodos e técnicas de controlo de circulação e de conservação do livro, afim de prevenir potenciais riscos de extravio ou roubo e minimizar os efeitos do manuseamento.