"Gosto de Jean-Luc Godard e de Ingmar
Bergman. Não gosto de grão-de-bico. Gosto de Espanha. Não gosto de Espanha.
Gosto muito de França, porque a conheço muito pouco. Gosto da comédia,
inclusive por cima do respeito, porque como dizia Larry Flynt, famoso
pornógrafo, o nosso sistema está criado para assegurar as liberdades dos piores
de nós. Gosto dos meus amigos. De ler e de beber com os meus amigos. Não gosto
nada que o Papa vá num papamóvel, porque se Cristo tivesse tido guarda-costas
não teria existido Cristianismo. E falando de Cristo, Lenny Bruce, o
irreverente e tristíssimo cómico norte-americano, dizia que se Cristo tivesse
nascido no Texas no século XX, e não em Jerusalém há dois mil anos, os
católicos usariam cadeiras eléctricas à volta do pescoço em vez de cruzes".
(Ray Loriga)
"O pior de tudo não são as horas
perdidas, nem o tempo por detrás e por diante, o pior são esses espantosos crucifixos
feitos com pinças para a roupa". Com esta frase, Ray Loriga (Madrid, 1967) principia Lo peor
de todo (1992), a sua primeira novela, rapidamente conotada com a "Geração X" de escritores espanhóis, cujo
estilo transpirava álcool, drogas e rock
and roll, rótulo que Ray Loriga sempre renunciou, ao afirmar que nunca ambicionou
pertencer – ou deixar de pertencer - a qualquer geração.