domingo, 3 de abril de 2011

A cidade dorme


|Luiz Ruffato

Xuxa despertou, golpes de cassetete na cabeça no tronco nos membros, assustado o grupo espalhou-se sacos-de-aniagem pendurados dos ombros Ai ai caralho! Quê isso porra?! o Zé imaginou interpor-se ao peeme, latiu preventivo, um coturno arremessou-o contra as grades do parque
        
O velho despertou, os tiros nasciam da televisão ou de lá de-fora? Os meninos sempre Aparece não, pai, pode dar problema mas o que ainda a perder? Nervos abalados nem diazepan remedeia. Da ninhada de sete, quatro tombaram à desgraça, incluindo uma filha-mulher. E a esposa, coitada, de desgosto há muito
        
O tenente despertou Caralho, Ivo, pra onde Quieto aí, Valtinho, agora é com nós, anunciou, fedendo a suor, a cara branca do soldado Castilho. E a viatura, engalfinhada com a treva, seguiu rumo a outras cinco, que, amotinadas, aguardavam ansiosas entre galpões abandonados. Em pânico, o Tenente Válter.

quinta-feira, 3 de março de 2011

4 poemas de Luís Maffei


|Luís Maffei

CONTRARIEDADE

Cruel, frenético e exigente é o
tempo,
poeta,
tu não.
Tu és morto e ele
a mim
arma de armas e bagagens e
instrumentos de fuga rumo
(a morte é depois,
é outra coisa)
ao que dura
pouco
dura
menos que o tempo
próprio fosse
justo fosse e ainda à mão
de um dedo à mão
da parte nova que
do tempo
escorre para o mais longe do
tempo tempo fosse.

E a vocação, poeta,
se a morte é depois, se
é outra coisa
é um tempo vivo e tão vivo
que
a mim
sorve de escombros
de coisa nova
beira uma finda
antes da
finda antes do
tempo antes do
abismo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Marta Tchizúri


|Paulo Bandeira Faria


Na altura já escrevia e ela dizia-me: Não percas tempo com isso. Então, dava-me a mão e levava-me do fim até ao início. Conseguia-o num espaço de tempo que nunca lhe bastava, mas a mim me deixava exausto, lavado em suor e a tremer. Depois descíamos até à rua e íamos a uma esplanada frente ao mar beber uma cerveja atrás de outra e comer marisco. Aos garotos que se aproximavam, ela enxotava com palavras que nunca entendi. As águas espalhavam destroços pela praia e as palmeiras estavam pintadas de branco até meio, creio eu que para não subirem os bichos. Não sei. Nunca entendi isto – eu estava aqui apenas de passagem.
O dono da empresa tinha-me dito: Se fores até lá tratar da barragem, sobes mais depressa que os outros. Aquilo é esquisito, mas tu tens cuidado, não vás para a cama sem protecção e vais ver que voltas inteiro. Foi isso que disse. E acrescentou: Para mais, vamos pagar-te em dólares e ali és um rei. Que te parece?
Pareceu-me bem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Peso


|Pedro Eiras

           A partir do camião, o caminho é curto: alguns passos cegos e chego. Deposito e volto (um corpo que não sou eu, um corpo que carrego). Subo ao camião, sinto frio. Se atravesso o passeio, contorno as pessoas, pessoas vivas que passam (animadas, as pessoas com as suas pequenas almas).

            É uma manhã de Janeiro, choveu toda a noite, as poças abrem as bocas, mas o céu está escuro, eu atravesso carregado (é cedo para pensar, tenho sono, não sinto o peso, acordo de repente, aqui e agora, sou eu, atravesso o passeio), chego. O Fausto estacionou em segunda fila e deixou os piscas acesos, não vá o diabo tecê-las, por menos do que isso já o Lucrécio foi multado (o mundo acontece, sem parar, ninguém pode parar).

            É uma manhã (frio, o plástico encharca-me de suor, bate-me na testa, beija-me), ainda é cedo mas o trânsito começa (donde? e como se concentra? presto atenção para não ser atropelado). Faz frio (o plástico arde à minha volta na sua brancura suja), se tenho de subir ao camião sinto mais frio, talvez mais frio do que o ar? talvez mais frio do que o ar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sítio 6



Neste número da revista, com direcção de Luís Filipe Cristóvão, a escolha dos textos esteve a cargo de manuel a. domingos.

A lista dos colaboradores inclui os seguintes autores: E. Ethelbert Miller, bruno béu, Rui Almeida, Rute Mota, Susana Miguel, Jorge Vaz Nande, Rui Manuel Amaral, Sandra g.d., Paulo Rodrigues Ferreira, Paulo Kellerman, Henrique Manuel Bento Fialho e João Camilo.

terça-feira, 23 de março de 2010

SobrEscritas - 4º Encontro de Escritores de Torres Vedras


Começou o SobrEscritas - 4.º encontro de Escritores em Torres Vedras, com produção da Livraria Livrododia.

Apresentamos o programa do encontro:

24 Março - 15h00
Escolas do concelho de T. Vedras
Sessões de Poesia Árabe, Latina e Grega

26 de Março - 21h30
Sede do ATV
L(eu), sessão de poesia performativa com Jorge Vaz Nande, seguida de Concurso de Poetry Slam

27 de Março - 16h00
Livraria Livrododia
Desacordo Ortográfico: Apresentação do livro e tertúlia sobre os acordos do desacordo e os desacordos do acordo, com Luís Filipe Cristóvão e Rita Taborda Duarte, entre outros.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sítio 5


Com textos de:
Cristina Néry, Luís Maffei, Rute Mota, Hugo Milhanas Machado, Duarte Drumond Braga, Rita Grácio, Rui Almeida, Fernando Esteves Pinto, Paulo Kellerman, Paulo Nuno Vicente, Pedro Eiras, Eduíno de Jesus, André Simões, Paulo Bandeira Faria, Rui Prudêncio

Editor:
Luís Filipe Cristóvão

Design: 
Slingshot