quarta-feira, 14 de maio de 2014

Estilete

|Matheus Mineiro


a silaba tônica da palavra  rotina
estilete que  raspa qualquer  língua.
delicadamente no seu estiletar 
arranca uma pelanca do peito
e abre um fiorde que se estende ate o crânio,
saco do mamanguá
delicadamente aberto neste estiletar.
 de-li-ca-da-mente
qual estilete 
este 
que massageia a palavra cidade e
navalha tudo que nossas ânsias contem de casca,
de polpa,de  pele.
qual estilete 
este 
da silaba tônica da palavra rotina
 que perfura a rubra barriga da tarde
e vazam estrelas e estrelas e mais estrelas 
                           no preto pontilhado do piso  do céu
e cada cidadão em sua orbita
 vira de costas para o sol e se anoitece .
mesmo a  meia noite  pessoas agem
como um sol de meio dia que arde.
besunta os cacos de vidro
 com a saliva
quando soletra a palavra descanso.
rasga a letra M do mundo 
e espirra  uma  menstruação nuclear ,
carmesim,
que sera entornada dentro
de um  hermafrodita ;
num  útero de ovários que funcionam quão ogivas;
primeiro detona e
 depois surgem os cacos de luz.
os dias passam como um estilete ,
uma incisão cirúrgica sem sedativo
por nossas vidas.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pequeno dossiê sobre a imensa problemática na rotina de um médio cid-adão

|Matheus Mineiro

boiar pela orbita da calçada
como se fosse  apenas mais um cometa
que  não cometa  trans
                                tornos em torno de si
sendo apenas mais um cometa
numa rua ,declive pulular,desse uni
                                                 verso
                                                 pop
                                                 ular.
I I
que destranca  a  porta da solitária palavra casa,
estende uma lua cheia  e outra lua minguante
 no varal estrelado da noite
e com o intuito de amanhã bem cedo
 vestir  a camiseta  azul do amanhecer
pendura  seu sol em algum cabide.
sendo  mais um dia escorrendo sobre seu corpo
sendo  mais um vento escorrendo sobre seu agreste.
vorazmente o calendário  range seus 12 dentes em 365 contrações
e este corpo agreste agradece os esforços  dos  corpos celestes
que impreterivelmente amanhecem e anoitecem
como  as pessoas que im-pre-te-ri-vel-
                                      - mente amanhecem e anoitecem.
mesmo com um chip implantado no fêmur das suas condutas.
I I I
sonha matar a sede na língua  da palavra montanha
para retornar  fluindo e jorrando pelas trilhas do dia a dia
abraçado pelos dois braços da  letra V que o conecta  ao verbo viver
nessa humanidade que é um Adão digital ,Adão negro de fuligem
perplexo e nu  diante das palavras;
com a mesma perplexidade da brisa quando é apresentada a um  tufão
vê sua costela menstruando e tenta endireitá-la ,mas costela é osso torto.
acorda  todo gênese diante dos apocalipses de todas as manhãs.
um esperma  a espera  da globalização.
dessa  gaiola  azul aqui ninguém corre.
Sendo que no dia do velório ao invés de choro
ocorrerá um chá de bebê eufórico e ao invés de flores e cova serás arremessado
dentro de uma bolsa fetal .

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Poesia

|Matheus Mineiro

Vulcão expele 5 milhões de pétalas
mas borrifo de gás metano e lava fica por conta dos corações e dos neurônios;
músculos e sentimentos constritores
enroscando do peito à cabeça
como uma píton de metros e metros.
deixar as pessoas tontas e distraídas
para assim sugar da sua corrente sanguina
toda tenacidade,
mas a motivação vem pra desentupir veias,arrebentar varizes,
colocar o ossos da coluna no lugar.
ser 15 elefantas africanas no cio dentro de um pequeno pote azul , que este o mundo.
mesmo sobre um col-chão de clarofilito
cada braço da rua,
calçadas,me benzem.
sonho com um olho e fico atento usando o outro.
repito a mesma posição
pélvica e transversal
em que me encontrava
dentro da bolsa fetal
de minha mãe.
no entanto sinto torcicolo,
inflação, imposições,regras
chumbo no pescoço de qualquer um.

repúdio aos horizontes estancados dentro de um monóculo.

Matheus Mineiro - Biografia



Matheus Mineiro artesão e poeta autor do livro A Cachoeira do Poema Na Fazenda do Seu Astral,2013.
Se encontra radicado na bucólica Serra dos Órgãos .
www.apologiapoetica.blogspot.com.br

domingo, 11 de maio de 2014

Mestre

|Luis Coelho

Seguem-te esquecendo-se,
Desvelam a ilusão,
nutrem-se no teu furúnculo,
Restringem-se
na acção, na cognição,
porque os injectas na sua base,
no seu homúnculo reptiliano,
porque os aprisionas na culpa ditosa,
crias as regras da sua estase,
os apetrechos ocos do seu córtex,

Opera-los, tritura-los, redu-los à sua condição,
Lembras-lhes a sua Humanidade,
porque é tua, a que já foi deles, pobre volição,
Trazes ao mundo a esperança,
quando oca é a vida e vã a temperança.

sábado, 10 de maio de 2014

Mapas

|Luis Coelho

Não me procures na urgência de medidas,
Não vejas em mim a tua distância definida,
Não procures no meu corpo os teus limites sucumbidos,
Não vislumbres no meu olhar a aceitação dos dias preteridos.
Não venho para dar Luz, como os instrumentos de outras Eras,
Não venho estender vias, como fronteiras predestinadas,
Trago em mim os velos e a urgência do mistério,
Trago comigo a Noite e a mística do baptistério,
Trago comigo a sombra e o silêncio das esculturas,
Trarei em mim o secreto e os deuses das alturas,
caindo como anjo mortal do solstício das agruras.

Não sou Razão, como via direccionada,
Não teço soluções nem a voz por muitos desejada,
Venho perturbar, riscar a meta na deturpação
da Verdade que os tempos devoraram ficcionada.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

A Sagrada Família

|Luis Coelho

Pai, ao teu eco túrgido,
à Palavra com que cegas,
Condeno as liberdades,
porque não me concedo,
Não te mato em mim
de te fender nos outros,
Faço-te Lei num gesto grotesco,
no repente do medo,
de vis demónios consentidos.

Expiras em mim os pólos contrafeitos,
Limitas a minha dança à dúvida do regresso,
fazendo-me teu espelho,
no negro perecível do teu ouro,
no reflexo temível do teu núcleo.

Queres-me sombra à custa de me trazeres no teu espectro.
Queres-me luz à custa de querer trair o teu feltro.

E eu só quero ser a Mãe do teu repúdio,
matéria no asco dos teus limites,
desejo, sexo e vanidade
levitando,
mergulhando no centro do teu túmulo.

Mãe Sophia no teu filho de ousadias.
Mãe do retorno perpétuo,
comédia dos trabalhos, a tragédia dos dias,
Eu sou o filho e trago comigo a paixão
das verdades relativas, das mentiras rendidas.