quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Invertebramentos da palavra

|Ricardo Flaitt

Soletro minhas palavras invertebradas
E vivo a recontar a coleção de janelas
Que meus olhos herdaram das coisas.
Prossigo entre minérios e vozes de locas.
Estou para o ocaso,
Enumerando as tardes que se derrubam em mim.
Converso com as aleluias e os louva-a-deus,
Buscando uma santidade que não me foi concebida
E que nunca quis.
Assim sigo...
Recortando asas de insetos e borboletas
Pra atingir os invertebramentos da palavra,
Pra ficar acumulando sons de telhados,
Pra ficar ouvindo meus silêncios,
Sentado em minha escrivaninha,
Que não se cansa de ouvir a Coronel Diogo:
Extensão perdida daquilo que me pavimenta.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O ferro de solda ou o metal de conjuminâncias

|Ricardo Flaitt

Quando meninoera, tempo que sol era apenesfera,
Pedi ao pai um ferro de solda pra concertar dicionários.
Em minha fábrica demendas
Catracava vocábulos coestanho, encavalava letras,
Corrupiava conceitos, emendava chuvas nolfato dos passarinhos,
Sons de uma velha cuíca em pedaços de inverno,
Cerzia serenos em cascos de vaga-lumes
E assim o mundo todo seliquefazia no mais profundemim.
A mãe até hoje não entendeu
Quando fundi um caleidoscópio nosolhos
Prenxegar a vida doavesso.
Mas era dessa forma que a vida ganhava sentido
E era assim que minha alma contornava a serra de Cajuru,
Sebanhava no Canoas, cingia o Rio Pardo
E terminava no bairro da Aparecida.
Eu só-tinha-isso: um metal de conjuminâncias
E um punhado de vocábulos
A fundir dicionários cambetas
Que continham todo o mundo dos meus pensamentos,
De minhas sensassâncias, meu sentir:
Mistura de sentimentos com infinitos e distâncias.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ricardo Flaitt - Biografia



Ricardo Flaitt é historiador e jornalista. Seus primeiros versos surgiram aos 15 anos sob a influência de Álvares de Azevedo e outros românticos.
Aos 16 passou a publicar seus pequenos tratados românticos em jornais e revistas literárias. Com o desenvolver do tempo literário Flaitt descobriu a máquina do mundo por meio de Gabriel García Márquez, Guimarães Rosa, Pablo Neruda, Manoel de Barros, Octavio Paz, Getulio Cardozo, dentre tantas outras vozes.
No mesmo período começou a participar e a conquistar vários concursos literários no Brasil.
Destaques para o ano de 2000, quando conquistou o Prêmio Literário do Mapa Cultural Paulista, evento promovido pela Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, com “O Domesticador de Silêncios.
Em 2002, nova conquista no Mapa Cultural Paulista, porém agora na Categoria Composição Musical, ao ver seu poema “Meridianos” ganhar os acordes de Kico Zamarian e a voz de Márcia Tauil.
Em 2006, foi premiado no concurso literário da Universidade Federal de São João del-Rei.
Atualmente mora em São Paulo, e agora está reaprendendo a vida pelos olhos de Lara.

Saiba mais no site oficial: http://ricardoflaitt.com.br/

domingo, 12 de janeiro de 2014

DO INFINDÁVEL AMOR QUE NÃO ACABA NEM COM REZA FORTE

|Cláudia Assis



Porto, segunda-feira, 25 de dezembro. O despertador toca às 8h da manhã, como já era hábito naquela casa. Contudo, ela já estava acordada há algum tempo, contando as voltas que os ponteiros do relógio davam, vezes sem conta. Já tinha percebido, inclusive, que chovia torrencialmente lá fora. Pior: chovia torrencialmente cá dentro do peito! O despertador insistia com o seu barulho habitual, numa tentativa vã de expulsá-la da cama. Mas a verdade é que ela não queria sair dali, de debaixo das cobertas. Era como se ali estivesse, de algum modo, protegida. Silêncio. Finalmente o despertador calou-se e, ainda de debaixo das cobertas, ela apenas virou, encolhendo-se em posição fetal. Não é preciso ser grande conhecedor de psicanálise para perceber que ali, deitada daquele modo, ela só queria proteger-se. Chovia muito lá fora. De repente, se deu conta que as suas mãos, pousadas sob o rosto, estavam molhadas. “Está chovendo cá dentro”, divagou consigo mesma, num pensamento quase surrealista. E muito rapidamente a menina se deu conta de que sim, chovia cá dentro. Os seus olhos eram uma tempestade só! O despertador tocou outra vez, dando-lhe conta de que já havia passado longos 10 minutos. “Mas como, se eu sequer pisquei meus olhos?”, questionou-se. Pobre menina, a sua tristeza até a impedia de ver o tempo passar.

[...] Após alguma insistência do abominável aparelho responsável por mantê-la acordada às horas, levantou-se. Parou por alguns segundos diante do seu telemóvel. É que havia um lembrete a piscar: “Hoje é 25, dia de celebrar o amor. Vamo’bora levantar, pretinha!”. O lembrete tinha sido escrito por ela mesma. Era um modo de não permitir que a sua memória pouco confiável deixasse que tal data caísse no esquecimento. Afinal, tratava-se de uma celebração. Não, não era ao Natal que o lembrete referenciava, mas sim ao amor que veio para transformar os seus dias. E por alguns segundos, uma espécie de filme da sua própria vida passou diante dos olhos. Ela sorriu. Lembrou-se daquele domingo em que a sua vida mudou por completo, do menino que viria para fazer os seus dias mais felizes, de passear a tarde inteira, entre uma provocação e outra, porque, afinal, estava nervosa e era um modo de não deixar que ele percebesse. Mas ele percebeu! E no momento EXATO, calou-a com um beijo. E do beijo fez-se o amor. Quase que instantaneamente. “Adoro a tua pele!”, dizia ele, enquanto passeava as suas mãos, como se quisesse mapear as costas dela. Ela, por sua vez, tentava relembrar um soneto de Vinicius. Mas sua memória... ah!... a sua memória nunca foi o seu forte. Ela sorriu novamente. E depois chorou por lembrar o quão difícil foi deixá-lo partir. Teria percebido claramente que a sua vida jamais seria a mesma. E não foi!

[...] Não havia volta a dar, hora de levantar. Era preciso encarar o mundo e a sua dura realidade. Já de pé, ela decide parar tudo e escrever uma carta de amor. Possivelmente a derradeira. “Que seja! É dia de celebrar o amor e assim será!”, resmungou a menina outrora mulher-tempestade. Papel e caneta na mão [que carta de amor que é carta tem que ser escrita à moda antiga], ela ensaia as suas primeiras linhas. Mas não tarda muito até por em causa aquele feito: “Isso nunca estaria à altura dele. Como poderia eu impressionar um escritor?”. Triste consigo mesma, amassa uma, duas, muitas folhas de papel. Pensa em desistir. Mas desistir também não era do seu feitio. Nunca foi. Algo a faz congelar: os seus ouvidos detectam aquela que passaria a ser a canção deles. “And i'll be anything you ask and more. You're going hey hey hey hey hey hey hey... It's not a miracle we needed. No i wouldn't let you think so. Fold it, fold it, fold it, fold it...”. Inevitavelmente a sua memória viaja no tempo, relembrando-a do dia em que dançaram de rosto colado na sala-cozinha do seu pequenino apartamento. Tantas foram as vezes que fizeram amor ao ouvir aqueles versos... Tão inevitável quanto acordar aquelas memórias foi sorrir com elas. Era impossível não sorrir ao lembrar do menino que se vestia de azul só para impressioná-la. “Sabia que ficas mesmo bonito de azul?”, disse ela uma única vez, sendo o suficiente para que ele não perdesse a oportunidade de lhe roubar sorrisos apenas por se vestir ao gosto dela.

[...] Com o findar da música, a nostalgia que reside no fim dos amores eternos fez-se presente, fazendo-a chorar. Descompassadamente, chorou! Percebeu que seria impossível escrever mais uma carta de amor. Não por faltar amor, muito pelo contrário, mas por ainda haver amor em demasia no seu peito. Era por perceber que já não o veria mais vestido de azul a fazer cenas bobas rua à fora que chorava. Era duro perceber que o seu menino-amor já não estaria mais ali para dançar com ela no meio da rua, como se o resto do mundo parasse para os ver. “Vam'bora arrastá' pé, pretinha!”, dizia ele com um sotaque abrasileirado, só para vê-la derreter-se em seus braços. Pretinha... nunca mais o ouviria dizer “és a minha pretinha”. Não tinha como não chorar. “Como é possível ser indiferente ao amor depois de ter sido tocada por ele?”, perguntava a si mesma, em voz alta, numa espécie de protesto ao universo, o mesmo universo que lhe havia pregado esta peça [fez-lhe provar do amor, fez-lhe ver o amor através dos olhos dele, arrancando-lhe depois isso das mãos, e dos lábios, e do corpo, mas não do coração.

[...] O tempo passa mesmo a voar. Era preciso ir tomar um banho que, afinal, não se podia atrasar para o trabalho. Sem se dar conta, os seus pensamentos vagueiam e ela relembra um dos momentos mais fantásticos e inesquecíveis dos dois: um banho quente em sua banheira tão pequenina quanto o seu apartamento. Mas eles tinham tanto amor um pelo outro que de nada importava onde nem como, desde que estivessem juntos. Encaixados um no outro, naquela mistura morna de água e sais de banho, ele acariciava carinhosamente o corpo dela e, vez ou outra, sussurrava-lhe algumas obscenidades. Especialmente no que tocava à “Sagrada Bunda”. Religião ele não tinha, já a bunda dela... ah!... a bunda dela era por ele cultuada com algum fanatismo, é certo. Sem notar, ela está dando uma suas gargalhadas por relembrar que ele a fotografava despudoradamente. E ele costumava gostar das suas gargalhadas.

[...] Ela sai para o trabalho. Atrasada, mas com a ideia fixa de que tem que lhe escrever uma carta de amor. A derradeira, possivelmente. Mas tinha de lhe escrever mais uma vez. Mais um dia havia sem saber nada sobre ele. “Como será que ele está? Será que no trabalho correu tudo bem? Terá feito para o jantar aquele frango com caril que eu tanto adoro? E sorvete de chocolate para sobremesa? Terá ele se lembrado, ao menos uma vez, que o dia de hoje deveria ser o dia de celebrar o amor? Terá sentido saudades minhas?”, questionou-se menina-mulher-tempestade.

[...] Já em casa, e depois de muito hesitar, não desistia da ideia de lhe escrever uma carta de amor. A derradeira, afinal. Mas logo apercebe-se que, por mais que muito quisesse, que desejasse intensamente, não havia palavras capazes de representar o medo que sentir por estar sem ele, a tristeza de ver a sua história de amor escapar-lhe por entre os dedos, sem que ele ao menos soubesse quanto amor ainda havia dentro daquele velho peito. Ainda assim, ela sorri ao lembrar das juras de amor que costumava ouvir dos lábios dele, das tonteiras e promessas de “juntos serem mais”m tão característico dos enamorados. E que força que tinha aquele amor! Eles eram capazes de sacudir o mundo, se preciso fosse, pois para além de tudo, eles tinham um ao outro. As abundantes lágrimas caem infindáveis, borrando mais uma das muitas tentativas de carta de amor. Ela chora porque não entende que ele prefira lembrar dos dias mais sombrios que ambos enfrentaram que dos muitos momentos de cores, cheiros e sabores que experimentaram. Ela não entende e não aceita. É que o amor gigante de outrora ainda reside em seu peito e ela só deseja ter um final feliz AGORA que é bem melhor que ficar eternamente à espera do PARA SEMPRE.

[...] Ela olha para para o relógio e se dá conta de que era meia noite em ponto, lembrando-se de que dizem que este momento do dia é um bocado mágico. Ela juntas as mãos espalmadas, fecha bem os olhos, e reza seja lá para o deus que for, desejando só mais uma vez, antes de deitar e dormir, que o sonho mau acabasse e que os seus dias voltassem a ter como destino os [a]braços dele. Ao contrário dele (cético como mais ninguém que já tenha conhecido), ela acredita em milagres, em finais felizes, no poder do amor e coisas ditadas por era forte. Ele costumava adorar isso nela. Ela olha para a mesinha ao lado da sua cama e vê a fotografia dos dois, a silhueta de um beijo congelado no tempo e no espaço. Sorri docemente e diz: “te encontro nos meus sonhos, pretinho. Beijo nosso, infinitos e mais além!”.

[...] Ela se deita, suspira fundo, fecha os olhos e, então, adormece, porque em seus sonhos ela ainda pode ter a sorte de amanhecer nos braços dele.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Saltos Altos

|Olinda P. Gil

Quando a minha irmã ficou desempregada, ainda se arranjava como se fosse para o emprego durante muito tempo. No emprego que tinha antes era necessário ir sempre muito arranjada, fato de saia ou de calça, saltos altos, pintura sóbria e cabelo arranjado. Depois começou a cansar-se de se arranjar assim só para ficar em casa. Abandonou os saltos altos, deixou de se pintar e de arranjar o cabelo, e por fim deixou de vestir fato de saia e casaco. Aliás, chegou a uma altura em que só vestia fato de treino, porque só se sentia confortável assim.
Depois de enviar muitos currículos e de responder a muitas propostas de emprego, a minha irmã é chamada para uma entrevista. Vai ao armário e todos os seus fatos lhe estavam largos, pois tinha emagrecido desde que ficara desempregada. Escolheu um, mas teve de o mandar apertar, para que lhe servisse.
No dia da entrevista voltou a vestir-se como antes, arranjou o cabelo, pintou-se solenemente e calçou uns sapatos de salto alto. Quando está a chegar à paragem de autocarro, o que precisava de apanhar estava pronto a sair. A minha irmã teve de correr um pouco para o tentar apanhar. Foi nesse momento que caiu e partiu um pé. Já não foi à entrevista.
Estou a contar isto tudo para vos explicar o que aconteceu já depois dela ter regressado a casa com o pé engessado. O marido e os filhos foram-na encontrar sentada no chão, junto do armário onde guardava os sapatos, a cortar todos os saltos. Depois os sapatos tiveram de ser jogados para o lixo, pois ficaram um pouco estranhos, como barcos naufragados.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Xadrez Alcoolizado

|Olinda P. Gil

Ainda hoje não sei. Se gostei ou não daquela prenda que me deste num aniversário. Não sei se gostei porque não percebi a intenção.
Está certo que o meu xadrez era velho. Tinham‑mo dado em criança, para eu aprender. Eram peças de plástico, já gastas pelo tempo e amolgadas pelo uso. Tomara‑lhe um amor fiel. Por isso nunca tinha comprado um novo, tirando o do computador que dava para jogarmos juntos pela net quando estávamos longe.
Ultimamente tens sido o meu único parceiro de xadrez.
Se tiver sido por isso, agradeço a intenção de me dares um xadrez novo. Nesse caso gostei da prenda.
Mas poder‑me‑ias ter oferecido outro xadrez. Um em madeira, de fabrico artesanal indiano, ou um antigo, comprado num antiquário, peça de museu. Há uns muito giros, de que sempre gostei, com as peças em ónix branco e preto. Até me podias ter dado um em louça da Vista Alegre.
Se me querias dar uma coisa de valor.
Agora um xadrez em que as peças são pequenos copos de cristal com as figuras pintadas.
Explicaste‑me o uso: enchiam‑se os copos. Cada peça fora do jogo era um copo bebido por quem a perdia. A ver quem perdia pela embriaguez. Podia ser que um dos dois caísse antes do xeque‑mate.
Até se podia encher os copos com conteúdos diferentes. Vinho branco e tinto. Martini rosso e bianco.
Disseste que eu gostava de Martini.
Não achei graça nenhuma ao teu comentário. Mas tu riste‑te sozinho.
Por acaso estarás a chamar‑me bêbedo?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Clube de Teatro

|Olinda P. Gil

Quando entrou para o Liceu não passava de um rapazola franzino, caixa‑de‑óculos, com um ar desconfiado e bom aluno. Era apenas mais uma face com borbulhas entre outros que preenchiam os corredores. O Liceu era de renome, cujos alunos eram filhos de famílias bem posicionadas, com a obrigação de dar continuidade aos pais. À parte disso, eram como todos os da sua idade: procuravam as raparigas mais simpáticas, elas procuravam‑nos. Começaram a sair à noite juntos, faziam brincadeiras, exageros, crueldades.
Nunca era convidado para estes convívios. Não ficava bem num grupo um rapazola magro, apesar de às vezes lhe darem simpáticas palmadas nas costas. Davam‑lhe o seu devido valor e respeito por ser bom aluno.
No Liceu havia um clube de teatro, no qual ele se inscreveu. Levaram‑no a curiosidade, o desejo, o bater das palmas e as luzes sobre a maquilhagem que lhe permitiam ser um outro numa outra vida. Iam representar Shakespeare – Romeu e Julieta, peça escolhida por inquérito na escola. Calhou‑lhe o papel de mensageiro.
Estudou‑o afincadamente. Leu Shakespeare todo. Decorou as falas de todas as personagens. Treinava‑as ao espelho. Lia estudos, a biografia, as curiosidades.
No dia antes da representação a “Julieta” adoeceu. Só ele sabia a fala.
Foi constrangido, sem dúvida. Ter de ficar com ar de menina. Mas não tinham antigamente os homens de fazer os papéis de mulheres?
Quando os colegas o reconheceram nem queriam acreditar. Pensavam que ele seria o mensageiro. A princípio riram‑se. Mas depois notaram a importância da personagem. E a paixão com que a representava. Um bom actor representa qualquer papel, mesmo que este seja o de mulher.
No final sentiu‑se que os aplausos iam apenas na sua direcção. Fora do palco, todos os colegas lhe vieram dar os parabéns.
Tudo isto se passou no primeiro ano de Liceu. Depois os colegas reconheceram nele mais que um rapazola franzino. Começou a sair com eles à noite, a fazer desporto, arranjou namorada. E, claro, continuou a fazer teatro. No ano seguinte iria ser Édipo.
Quando, passado tempo, estava já no último ano de Faculdade, e se fez no Liceu um encontro para antigos alunos, foi com alegria que se reencontrou com os seus colegas. Quem diria?! O rapazola agora ultrapassava os colegas em altura. Dava abraços fortes e calorosos, falava com segurança e simpatia. O desporto dera‑lhe presença. E o teatro: ensaiava agora Filodemo.