~ quando vou para o interior e subo a um monte, ou a outro ponto alto como uma serra, em vez de buscar com o olhar o que está mais para lá para o fundo, apontando ao norte, como faz a bússola, descubro-me a virar-me a sul à procura da paisagem que conheço bem. aquela onde me movo há mais tempo. quem cresceu junto ao mar e fica muito tempo sem o ver, começa a sentir no peito uma espécie de pressão. não lhe chega como azul, o só do céu, ou a constante luz de um sol brilhante. ficar muito tempo longe do mar provoca uma falta de iodo na respiração ~
sábado, 29 de junho de 2013
~cerro de s.miguel~moncarapacho ~olhão
|Pedro Jubilot
~ quando vou para o interior e subo a um monte, ou a outro ponto alto como uma serra, em vez de buscar com o olhar o que está mais para lá para o fundo, apontando ao norte, como faz a bússola, descubro-me a virar-me a sul à procura da paisagem que conheço bem. aquela onde me movo há mais tempo. quem cresceu junto ao mar e fica muito tempo sem o ver, começa a sentir no peito uma espécie de pressão. não lhe chega como azul, o só do céu, ou a constante luz de um sol brilhante. ficar muito tempo longe do mar provoca uma falta de iodo na respiração ~
~ quando vou para o interior e subo a um monte, ou a outro ponto alto como uma serra, em vez de buscar com o olhar o que está mais para lá para o fundo, apontando ao norte, como faz a bússola, descubro-me a virar-me a sul à procura da paisagem que conheço bem. aquela onde me movo há mais tempo. quem cresceu junto ao mar e fica muito tempo sem o ver, começa a sentir no peito uma espécie de pressão. não lhe chega como azul, o só do céu, ou a constante luz de um sol brilhante. ficar muito tempo longe do mar provoca uma falta de iodo na respiração ~
sexta-feira, 28 de junho de 2013
~barril~stº luzia ~tavira
|Pedro Jubilot
~ a praia. é o pedaço de mundo por excelência que foi inventado para as crianças. e que nós tomamos de assalto em cada verão, para ver se ainda conseguimos trazer à memória esse tempo de quando éramos reis.
o mar, quente ou frio, é ainda e sempre do seu domínio. para isso elas constroem castelos e fortalezas à beira-mar, num árduo trabalho de carregar baldes de água e areia. a tarefa é sempre recompensada a bolas de berlim ou gelados ~
~ a praia. é o pedaço de mundo por excelência que foi inventado para as crianças. e que nós tomamos de assalto em cada verão, para ver se ainda conseguimos trazer à memória esse tempo de quando éramos reis.
o mar, quente ou frio, é ainda e sempre do seu domínio. para isso elas constroem castelos e fortalezas à beira-mar, num árduo trabalho de carregar baldes de água e areia. a tarefa é sempre recompensada a bolas de berlim ou gelados ~
quinta-feira, 27 de junho de 2013
~carvoeiro ~portimão
|Pedro Jubilot
~ falassem essas paredes, mesmo as de pedra branca sazonalmente caiadas. e nas janelas, as leves cortinas no seu algodão poroso oscilassem a cada suspiro na noite ou no dia. se os candeeiros alumiassem ainda que só quando a claridade desbota. não calasse a tua boca de cada vez que me abalroas os lábios confidenciando o sentido oculto do teu corpo. então não poderíamos delongar mais por aqui, meu amor (como se enuncia nalguma poesia o objecto de desejo) ~
~ falassem essas paredes, mesmo as de pedra branca sazonalmente caiadas. e nas janelas, as leves cortinas no seu algodão poroso oscilassem a cada suspiro na noite ou no dia. se os candeeiros alumiassem ainda que só quando a claridade desbota. não calasse a tua boca de cada vez que me abalroas os lábios confidenciando o sentido oculto do teu corpo. então não poderíamos delongar mais por aqui, meu amor (como se enuncia nalguma poesia o objecto de desejo) ~
quarta-feira, 26 de junho de 2013
~hangares ~olhão
|Pedro Jubilot
~ ninguém como tu ama o inverno dessa praia. donde recolhes as conchas que mais gostas, dispostas ao acaso no areal deserto. da janela que estou a pintar com verniz acetinado nogueira para proteger a madeira da intempérie, vejo-te chegar da baixa mar. e abre-se-me o apetite ao teu corpo ainda envolto numa camisa de flanela grossa, trazendo o cheiro ao sal desse mar encrespado. vais colocá-las sobre o psichet do pequeno quarto da casa de férias, para as apreciares enquanto te penteias ao espelho, antes de vires para a cama. ninguém como eu ama o inverno desta praia no teu corpo ~
~ ninguém como tu ama o inverno dessa praia. donde recolhes as conchas que mais gostas, dispostas ao acaso no areal deserto. da janela que estou a pintar com verniz acetinado nogueira para proteger a madeira da intempérie, vejo-te chegar da baixa mar. e abre-se-me o apetite ao teu corpo ainda envolto numa camisa de flanela grossa, trazendo o cheiro ao sal desse mar encrespado. vais colocá-las sobre o psichet do pequeno quarto da casa de férias, para as apreciares enquanto te penteias ao espelho, antes de vires para a cama. ninguém como eu ama o inverno desta praia no teu corpo ~
terça-feira, 25 de junho de 2013
~santa maria ~tavira
|Pedro Jubilot
~ durante algumas horas estarei aqui retido num dolente terraço, observando à volta o casario de telhados de tesoura, recortado sobre um rio que quase ninguém por aqui sabe porque tem dois nomes, ou onde um acaba para o outro começar. fico remendando versos que também tu alinharias, se estivesses, nem que por um dia, num lugar como este. espreito a rua através das frestas da reixa das portas típicas da cidade. as pessoas que passam numa terna lentidão vão, entre parcas palavras, respirando desse ar impregnado de salmoura ~
~ durante algumas horas estarei aqui retido num dolente terraço, observando à volta o casario de telhados de tesoura, recortado sobre um rio que quase ninguém por aqui sabe porque tem dois nomes, ou onde um acaba para o outro começar. fico remendando versos que também tu alinharias, se estivesses, nem que por um dia, num lugar como este. espreito a rua através das frestas da reixa das portas típicas da cidade. as pessoas que passam numa terna lentidão vão, entre parcas palavras, respirando desse ar impregnado de salmoura ~
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Postais da Costa Sul - Pedro Jubilot
Os ‘Postais da Costa Sul’ foram escritos entre o verão de 2011 e o verão de 2012, ao longo da costa do Algarve e enviados através de facebook.pt, sendo o remetente Pedro Jubilot, e tendo como destinatários os amigos/público da conhecida rede social.
São pequenos textos ficcionados sobre a vivência, a paisagem, e claro… a passagem do tempo, de quem está junto ao litoral sul que agora se reúnem num pequeno livro algumas dessas mensagens que foram sendo lançadas no lugar etéreo e efémero da internet, tentado que ao passarem a existir impressos numa textura se tornem numa leitura mais física e real. E que se insinuem a novos leitores.
Pedro Jubilot
Professor, licenciado em línguas e literaturas modernas, escreve por passatempo, mas é um amante de muitos tipos de arte. Nos anos 90 quando regressou ao Algarve foi autor de programas de rádio, criou a Húbris -agência cultural (olhão,1991), editou o fanzine ‘Tão Longe, Tão Perto’, escreveu letras para bandas pop, recebeu alguns prémios literários a nível local na modalidade de conto. Em dezembro de 2001 o seu microconto ‘A Visita’ foi escolhido pelo jornal Público para representar Portugal, tendo sido publicado em simultâneo nos jornais (El Pais, Corriere della Sera entre outros) dos 5 países organizadores. Actualmente é membro da Casa Álvaro de Campos-Tavira e colabora no ‘Cultura.Sul’, suplemento cultural do jornal Postal do Algarve.
BLOGUE CanalSonora http://canalsonora.blogs.sapo.pt/
FACEBOOK Pedro Jubilot https://www.facebook.com/pedro.jubilot
sábado, 22 de junho de 2013
Hino em memória
|Rute Castro
é tempo deste peito de vontade cuidar de uma presença,
e a graça coexistir com o assombrear de um templo- a mão estendida em rogo- como o exceder de uma simplicidade santa aquando da data em sina,
tudo a Ti, a oferenda de passos e o peso de significado às costas,
afim da salvação, deste depois em alguns de nós.
é tempo deste peito de vontade cuidar de uma presença,
e a graça coexistir com o assombrear de um templo- a mão estendida em rogo- como o exceder de uma simplicidade santa aquando da data em sina,
tudo a Ti, a oferenda de passos e o peso de significado às costas,
afim da salvação, deste depois em alguns de nós.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









